Jesus aconselhado a cortar “cordão umbilical” com Ronaldo: “Já chega…”
Sam Allardyce, antigo selecionador de Inglaterra, defende que Jorge Jesus deve cortar o cordão umbilical com Cristiano Ronaldo.

Sam Allardyce, antigo selecionador de Inglaterra, considera que Jorge Jesus deverá cortar o “cordão umbilical” com Cristiano Ronaldo. Na opinião do técnico inglês, Portugal precisa de fechar um ciclo e alguém terá de tomar essa decisão.
O experiente treinador defende que Jorge Jesus terá de pensar na Seleção Nacional sem Cristiano Ronaldo, mais cedo ou mais tarde. No podcast Tippy Tappy Football, Allardyce comentou a polémica em torno da saída do capitão português durante o estágio da Seleção, destacando o perfil de treinador “da velha guarda” de Jesus e a necessidade de encerrar um ciclo.
“Alguém terá de cortar o cordão umbilical mais cedo ou mais tarde. E este treinador não é de rodeios. Já ouvi falar do seu historial e do que ele fez em Portugal antes, a ganhar o campeonato e tudo mais, e obviamente é da velha guarda, direto e sem rodeios”, começou por afirmar Allardyce.
O antigo selecionador inglês recordou também o final da segunda passagem de Cristiano Ronaldo pelo Manchester United, usando esse episódio como exemplo das dificuldades associadas ao momento em que um jogador deixa de corresponder às exigências de uma equipa.
“Temos de nos lembrar que o Cristiano foi afastado no Manchester United para se livrarem dele. Por isso, o treinador teve de ‘engolir o sapo’ e aguentar as críticas porque sentiu que, no sistema em que queria jogar, o Cristiano já era demasiado velho para contribuir com o que ele pretendia, e por isso afastou-o. O que depois se torna num grande tema de imprensa, que é mais do mesmo”, sublinhou.
Allardyce explicou ainda que, ao longo da sua carreira, enfrentou situações semelhantes, envolvendo jogadores que já não conseguiam apresentar o mesmo rendimento de outros tempos. Nesses casos, considera importante conversar diretamente com os atletas e tomar decisões difíceis.
“Mais cedo ou mais tarde, temos de afastar o jogador. Sentá-lo no escritório e dizer-lhe simplesmente: ‘Já chega. Lamento, mas achamos que estás um pouco abaixo do nível que queremos agora’. O tempo acaba por apanhar toda a gente e eles [jogadores] não reagem muito bem a isso. Aliás, ninguém reage bem. Eu também não reagi nada bem. Eu queria sempre ir para o campo e provar que estavam errados durante o máximo de tempo que conseguisse”, explicou, reconhecendo, ainda assim, a longevidade da carreira de Ronaldo.
Apesar da posição que defende, o técnico inglês fez questão de elogiar o percurso do internacional português e a dedicação que lhe permitiu permanecer ao mais alto nível durante tantos anos.
“É um dos maiores jogadores que alguma vez vimos. Jude Bellingham pode vir a ter uma carreira assim, mas estamos a falar deste nível por quantos anos? Quantos anos tem ele agora, 40? 41? É a dedicação que te mantém no topo do futebol e a jogar durante mais tempo do que qualquer outro. Não há muitos jogadores tão dedicados como ele. Mas, no fim, tens de pensar na equipa em vez de pensares em ti próprio. É muito difícil para ele, mas acho que devemos sair com elegância. E, sem dúvida, é um jogador inacreditável. Durar tanto tempo é um mérito tremendo para ele. Só que, mais cedo ou mais tarde, alguém – e este treinador é suficientemente corajoso – tem de lhe dizer: ‘Tens de ir embora’”, concluiu.
Sam Allardyce, de 71 anos, orientou a seleção inglesa durante um curto período, depois do Euro 2016. Deixou o cargo após apenas um jogo, na sequência de uma investigação jornalística relacionada com alegadas irregularidades em negócios ligados ao futebol.







