Sociedade

Depressão Marta chega a Portugal este fim de semana

Depois dos efeitos das depressões Kristin e Leonardo, as chuvas devem prolongar-se até domingo, dia 8, mantendo o risco de cheias e inundações. Na sexta-feira o dia será influenciado por uma massa de ar polar, que traz aguaceiros frequentes, por vezes fortes, com possibilidade de granizo e trovoadas, sobretudo nas regiões Norte e Centro. Quanto à neve, esta deverá cair acima dos 800 a 1000 metros, podendo acumular mais de 25 centímetros nas serras e provocar constrangimentos rodoviários. Já o vento será moderado, com rajadas até 60 km/h, e as temperaturas descem, com mínimas entre 2 e 6 ºC no interior e máximas que, em geral, não deverão ultrapassar os 14 graus. Relativamente ao mar, continuará muito agitado, com ondulação elevada na costa ocidental.

Para sábado, na bacia do Tejo, sobretudo na Margem Sul, aplicando-se também à Área Metropolitana de Lisboa, existe uma “situação que se agrava”. A garantia é dada por Duarte Costa, especialista em alterações climáticas, apesar do abrandamento das chuvas, o “problema” existente está na hidrologia, uma vez que as barragens em descargas em Portugal e em Espanha não aguentam a quantidade de água existente, prevê-se uma “situação de prever e de acautelar o pior”.

Também para o Alentejo Litoral, Alto Alentejo e Algarve o especialista antevê uma “situação preocupante”, em concreto no território alentejano, por ser uma área que “não está habituada a tanta chuva”.

Em comunicado, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) explica que se prevê que os maiores valores acumulados de precipitação ocorram a sul do rio Tejo, incluindo a região da grande Lisboa, sendo mais prováveis no Alentejo e nas serras algarvias, com acumulados da ordem de 60 mm (litros/m2) em 24 horas, o que “contribuirá para uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras destas áreas”.

Chuva intensa dá ‘tréguas’ no domingo

Para o próximo domingo, 8 de fevereiro, estão agendadas as eleições presidenciais, com as previsões a apontarem para uma “trégua” no dia do ato eleitoral. Duarte Costa explica que, ao longo desse dia, em todo o país, parece que não vai chover, apenas mais no final do dia, sobretudo durante o período da contagem dos votos. O especialista aconselha os eleitores a planearem o voto para as primeiras horas do dia, para que não sejam confrontados com chuvas nem com cheias.

A calma climatérica mantém-se na segunda-feira, mas para terça-feira existem “novos riscos bastante sérios a cautelar”.

Para Duarte Costa, se a projeção de terça-feira se mantiver prevê-se uma “situação crítica” em Coimbra. Na cidade dos estudantes a previsão aponta para 30 milímetros, com o Rio Mondego a subir “muito rapidamente”, e o especialista a considerar que se as projeções se mantiverem para esta orientação geográfica em toda a bacia e não só na cidade de Coimbra, se prevê o pior em termos de alagamento.

Depois de terça-feira, Duarte Costa afirma que é “prematuro” fazer previsões, considerando que para que esta situação termine é preciso olhar para a corrente de jato.

O especialista considera que esta situação hidrológica se manterá em Portugal provavelmente por mais uma semana e meia, destacando que é possível que a segunda metade de fevereiro “seja muito mais tranquila”.

Devido a esta situação o IPMA já emitiu avisos meteorológicos de níveis amarelo e laranja de precipitação, neve, rajada de vento e agitação marítima, aconselhando o acompanhamento das atualizações dos mesmos.

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