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Advogado de Jorge Jesus critica Ronaldo e anuncia saída do Record: «Não existe independência intelectual sem independência financeira»

Luís Miguel Henrique acusou o capitão português de prejudicar o próprio legado e explicou a decisão de deixar de escrever no jornal.

A polémica entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus ganhou um novo capítulo. Luís Miguel Henrique, advogado do selecionador nacional, dirigiu duras críticas ao capitão português e anunciou que vai deixar de escrever a sua crónica semanal no jornal Record.

Numa publicação que gerou reações, o jurista considerou que o comportamento recente de Ronaldo está a afetar a forma como o percurso do internacional português será recordado.

«Cristiano Ronaldo com as suas ações, os seus comportamentos e a obsessão por determinadas métricas, está a conseguir o que nenhum adversário conseguiu: estragar a nossa capacidade de recordar tudo o que de bom nos deu», escreveu.

O advogado foi ainda mais longe e questionou as pessoas que rodeiam o avançado do Al Nassr, deixando uma mensagem particularmente contundente.

«Rodeia-se cada vez mais de quem lhe diz o que quer ouvir e cada vez menos de quem lhe diz o que precisa de ouvir. É a sina dos deuses e dos autocratas: acabam sozinhos no Olimpo, cercados de espelhos», afirmou.

Advogado deixa o Record e explica a decisão

As críticas não ficaram pelas palavras dirigidas a Cristiano Ronaldo. Luís Miguel Henrique anunciou também que vai deixar de assinar a crónica «Advogado do Diabo», publicada semanalmente no Record.

O jurista fez questão de esclarecer que a decisão foi tomada por iniciativa própria.

«Não por imposição de ninguém, mas por mera e pura decisão pessoal», explicou.

A decisão está relacionada, segundo o próprio, com a participação de Cristiano Ronaldo na estrutura acionista da Medialivre, grupo proprietário do jornal. Perante o conflito entre o capitão português e Jorge Jesus, o advogado considerou que continuar a colaborar com uma empresa na qual Ronaldo tem participação poderia levantar questões sobre a sua independência.

«Os factos para mim são muito simples – Cristiano Ronaldo é acionista de referência da Medialivre, proprietária deste jornal. Com o capitão em rota de colisão com Jorge Jesus e por via disso comigo próprio, não me ficaria bem, seria até vergonhoso, eu continuar a colaborar e ser remunerado por uma empresa por si participada», escreveu.

«Não existe independência intelectual sem independência financeira»

Ao justificar a saída, Luís Miguel Henrique deixou ainda uma declaração sobre a importância da liberdade de opinião e da independência financeira.

«Não existe independência intelectual sem independência financeira. Quem opina sobre o poder não pode depender do poder sobre o qual opina. É dessa amarra que, desde já, prefiro libertar-me, para que ninguém, seja ele quem for, ache ou sonhe que tem a capacidade de vir a infligir-me alguma ‘consequência’. A liberdade que só se exerce quando não custa nada chama-se conveniência. E eu nunca escrevi por conveniência», afirmou.

A decisão volta a colocar em discussão a relação entre a propriedade dos órgãos de comunicação social e a independência de quem escreve nesses meios. Ainda assim, a saída anunciada pelo advogado não demonstra, por si só, que tenha existido qualquer tentativa de interferência editorial.

Polémica entre Ronaldo e Jorge Jesus continua

As declarações de Luís Miguel Henrique surgem num contexto de tensão entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, depois do episódio que levou à saída do capitão do estágio da Seleção Nacional.

No comunicado de 6 de outubro, Ronaldo apresentou a sua versão dos acontecimentos e abordou as conversas mantidas com o selecionador, bem como a preparação das declarações públicas sobre o caso.

Entretanto, o capitão português aguarda o desfecho do procedimento disciplinar, enquanto continua a ser discutida a possibilidade de regressar à Seleção Nacional em novembro.

A intervenção do advogado acrescenta um novo capítulo à controvérsia. Para além das críticas ao comportamento de Ronaldo, a saída do Record coloca em evidência as razões que o próprio apresentou para preservar a sua independência profissional.

Com o conflito ainda por resolver, permanece a expectativa em torno dos próximos passos de Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus e dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol.

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