Alberto João Jardim defende autoridade de Jorge Jesus no caso Cristiano Ronaldo e deixa recado à FPF
Antigo presidente do Governo Regional da Madeira considera que as escolhas na Seleção devem caber ao selecionador, enquanto Miguel Albuquerque continua a defender CR7.

Alberto João Jardim pronunciou-se sobre a polémica que envolve Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus na Seleção Nacional e surpreendeu ao defender a autoridade do selecionador português. A posição do antigo presidente do Governo Regional da Madeira contrasta com a de outras figuras madeirenses que têm saído em defesa do capitão das quinas.
Em declarações à RTP-Madeira, Alberto João Jardim defendeu que as decisões relativas à utilização dos jogadores devem pertencer ao treinador. Para explicar o seu ponto de vista, recorreu a uma comparação bem-humorada com o período em que liderou o PSD Madeira.
«A Seleção Nacional não é para alimentar os cofres da Federação Portuguesa de Futebol», começou por afirmar, criticando a ideia de que as escolhas desportivas possam estar condicionadas por interesses financeiros.
«Isso é uma visão errada e antiética do desporto. A Seleção de Futebol é para o prestígio desportivo do país. Tem um selecionador, joga quem o selecionador entendeu. Também no meu tempo [como líder do PSD Madeira], era deputado quem eu entendia. Quando era eu o selecionador», acrescentou, numa intervenção que provocou várias gargalhadas.
A posição de Alberto João Jardim contrasta com a de Miguel Albuquerque, atual presidente do Governo Regional da Madeira, que tem defendido Cristiano Ronaldo desde que o internacional português abandonou o estágio da Seleção Nacional, a 30 de setembro, na sequência do desentendimento com Jorge Jesus.
Recentemente, Miguel Albuquerque criticou a forma como o futebolista tem sido tratado, considerando que existe uma tendência para desvalorizar os portugueses que alcançam reconhecimento internacional.
«O que acontece neste país é que gosta de se cultivar, de certa maneira, alguma inveja, algum ressentimento contra quem tem sucesso», afirmou o governante madeirense.
Albuquerque destacou ainda a projeção mundial de Cristiano Ronaldo, considerando «inquestionável» que o avançado «é o português mais conhecido em todo o mundo».
«Nunca teremos um nome com esta projeção como ele tem», acrescentou, realçando a importância do jogador para a imagem de Portugal no estrangeiro.
O presidente do executivo regional insistiu também que o percurso de Ronaldo e o seu contributo para o país devem ser reconhecidos, independentemente da polémica que envolve atualmente o capitão da Seleção Nacional.
«Serviu o país, promoveu o país e, portanto, neste momento, não pode ser tratado como uma pessoa qualquer. É o que eu acho», sublinhou.
Miguel Albuquerque já tinha manifestado anteriormente o seu apoio ao futebolista, considerando que Cristiano Ronaldo estava a ser alvo de «mesquinhices e paroladas».
Desta forma, a polémica entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus colocou em posições diferentes duas figuras marcantes da política madeirense. Enquanto Alberto João Jardim defende que a autoridade do selecionador deve prevalecer nas decisões desportivas, Miguel Albuquerque considera que o estatuto e o contributo de Ronaldo para Portugal merecem maior reconhecimento.
Recorde-se que Alberto João Jardim presidiu ao Governo Regional da Madeira durante 37 anos, entre 1978 e 2015, tendo sido sucedido no cargo por Miguel Albuquerque.






